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Cachorro com Paralisia Volta a Andar Após Tratamento com Polilaminina

Esperança Inédita: Cachorro com Paralisia Volta a Andar Após Tratamento com Polilaminina

Por Heudes C. O. Rodrigues

Ver um animal de estimação perder os movimentos das patas traseiras devido a uma lesão na medula espinhal é uma das experiências mais devastadoras para qualquer tutor. Historicamente, o diagnóstico de paralisia canina soava como uma sentença definitiva e irreversível na medicina veterinária. No entanto, a ciência brasileira acaba de acender uma luz extraordinária no fim desse túnel. Em um avanço médico sem precedentes, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) devolveram a capacidade de locomoção a cães paralisados utilizando uma proteína inovadora desenvolvida no Brasil: a polilaminina.

O Que é a Polilaminina e Como Ela Funciona?

Para entender a magnitude dessa descoberta, precisamos olhar para a biologia íntima do corpo animal. A laminina é uma proteína natural presente na matriz extracelular (o espaço entre as células) de quase todos os animais. Ela atua como uma espécie de "cola biológica" e sinalizadora, orientando as células sobre como devem se comportar, crescer e se estruturar.

A grande sacada científica, liderada há mais de duas décadas pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, foi modificar essa proteína em laboratório. Extraída de placentas humanas — um material biológico abundante e frequentemente descartado após os partos —, a laminina natural passou por um processo de acidificação e polimerização, transformando-se na polilaminina.

A "Ponte" para os Neurônios

Quando ocorre uma lesão severa na medula espinhal, as conexões nervosas (os axônios) são rompidas de forma traumática, interrompendo o "trânsito" de informações motoras e sensoriais entre o cérebro e os membros. O corpo, por si só, não consegue reparar essa via.

É aqui que a mágica da ciência acontece. A polilaminina, quando injetada diretamente no local da lesão medular, forma uma espécie de malha tridimensional complexa. Essa estrutura atua como um andaime microscópico, guiando e estimulando os axônios lesionados a crescerem e se reconectarem. Em termos práticos, a proteína reconstrói a ponte biológica que havia desmoronado, permitindo que a eletricidade do sistema nervoso volte a circular.

O Estudo Clínico Inédito: O Caso de Teodoro

Essa teoria brilhante saiu das bancadas do laboratório e foi colocada à prova em um ensaio clínico veterinário que já é considerado um marco global. O estudo, conduzido pela UFRJ e publicado em uma das revistas científicas de medicina veterinária mais prestigiadas do mundo, avaliou cães que haviam perdido totalmente os movimentos devido a lesões medulares severas.

Entre os participantes estava Teodoro, um cãozinho do Rio de Janeiro que se tornou o símbolo palpável dessa vitória científica. O procedimento experimental seguiu passos rigorosos:

  • Aplicação Direta: Uma injeção de polilaminina foi aplicada diretamente na coluna vertebral dos animais, no ponto exato do dano medular.
  • Monitoramento: Os cães foram acompanhados de perto ao longo de seis meses por uma equipe multidisciplinar.
  • Reabilitação: Avaliações técnicas contínuas da marcha e fisioterapia veterinária foram integradas ao processo.

Os resultados superaram as expectativas. Dos seis cães que receberam a terapia, quatro apresentaram melhora significativa em seus índices de capacidade motora. Teodoro, que antes dependia de suportes para qualquer deslocamento, voltou a dar passos firmes e a sustentar o próprio peso, surpreendendo tutores e toda a comunidade veterinária internacional.

Da Medicina Veterinária para a Esperança Humana

Embora o foco imediato de celebração seja a recuperação da qualidade de vida dos nossos companheiros de quatro patas, as implicações dessa pesquisa brasileira são monumentais. O sucesso terapêutico da polilaminina em roedores e cães abriu as portas, de forma ética e segura, para os primeiros ensaios clínicos experimentais em humanos.

Com o apoio de instituições como a CAPES e a FAPERJ, e em parceria com a indústria farmacêutica brasileira, os primeiros testes compassivos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos já estão em andamento. Os relatos preliminares — de pacientes que recuperaram a sensibilidade e o movimento de membros semanas após a aplicação — indicam que a substância tem o potencial de transformar também o tratamento de traumas medulares humanos.

Conclusão: Um Novo Capítulo na Ciência

A jornada da polilaminina prova o valor inestimável e transformador da ciência produzida no Brasil. Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que o tratamento ainda é experimental, que os estudos precisam ser ampliados e que a palavra "cura" deve ser utilizada com extrema cautela médica. Contudo, o fato científico é inegável: a paralisia por lesão medular deixou de ser um muro absolutamente intransponível. Graças à obstinação de cientistas brilhantes e à coragem de cães pioneiros como Teodoro, o que antes era tido como impossível agora caminha — a passos reais — para se tornar a realidade terapêutica do futuro.


Referências

  • Associação Paulista de Medicina (APM). (2025). Polilaminina: o que se sabe sobre a proteína da UFRJ que pode recuperar movimentos após lesão na medula. Recuperado de publicações oficiais da APM.
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CAPES). (2025). CAPES fomenta pesquisa da UFRJ sobre tratamento de lesões medulares. Portal Gov.br.
  • Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). (2025). Proteína da placenta ajuda a recuperar movimentos após lesão medular. Portal FAPERJ.
  • G1 / Fantástico. (2025). Cão com paralisia volta a se movimentar após tratamento com proteína desenvolvida no Brasil. Grupo Globo.
  • Portal do Dog. (2025). Cachorro paralítico volta a andar: tratamento inovador no Brasil. Portal do Dog.

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